É o levantar de uma cidade, um recomeço. O anúncio da construção de um conjunto habitacional com 150 casas em Marcelândia (710 km ao Norte de Cuiabá) representa a esperança para as famílias que perderam tudo na última quarta-feira (11.08) com o fogo que devastou o parque industrial e queimou casas, empresas, veículos, máquinas e animais. Famílias como a de seo Durval Alves de Farias, 69 anos, que morava numa casa no pátio de uma serraria e não conseguiu salvar nem os documentos pessoais. “Eu fiquei só de cueca, nem a roupa do meu corpo consegui ficar porque o calor era muito e queimava, tirei e perdi tudo”, disse ele ao vestir roupas que recebeu de doação. Alojado no salão paroquial da cidade ele, a esposa e dois filhos precisam recomeçar recuperando a identidade. “Eu não tenho nem uma panela, um fogão. Minhas coisinhas eram boas, de primeira”, diz desconsolado com as cópias dos documentos na mão.
Situação semelhante vive Leandro Soares, desempregado, alugava uma casa na Colônia, uma espécie de vila de casas próximo às serrarias e madeireiras. Teve todos os móveis, pertences, roupas e documentos queimados. Leandro, a esposa e a filha de colo não estavam em casa no momento, porque estavam no hospital preparando para uma cirurgia que a esposa vai fazer.
Ali no salão paroquial em meio às doações que chegavam encontrava-se também Rosilene da Silva, com três filhos. Ela teve sua casa queimada. O bem maior, a vida dos filhos, como ela mesmo diz foi preservado, pois os pequenos estavam na escola. No desespero Rosilene deixou a filha caçula, uma bebê de colo no Posto de Saúde onde estava e correu para tentar salvar alguma coisa, mas foi praticamente impossível, pois o fogo chegou rápido e se espalhou muito veloz. “Eu passei mal, tive que ir pro hospital. Agora preciso de uma casa pra recomeçar a vida.”
Esses relatos retratam a situação dos desabrigados das cem casas destruídas pelo fogo. O governador Silval Barbosa foi ao local no dia seguinte à tragédia e se comprometeu em buscar meios para a construção emergencial de um conjunto habitacional. De acordo com o secretário de Infraestrutura do Estado, Arnaldo Alves, com a decretação de situação de emergência pelo município o processo será acelerado. Na sexta-feira (13.08) Prefeitura, Ministério Público e Poder Judiciário se reuniram para definir a área em que as casas serão construídas.
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